O primeiro dia do Simpósio dos Preparadores Físicos de Futebol Profissional chegou ao fim nesta segunda-feira. No período da tarde, os profissionais da área que puderam acompanhar as palestras sobre três diferentes segmentos: a psicologia no futebol, o gramado e sua relação com as lesões esportivas e o planejamento dos treinamentos.
Logo após o almoço, o psicólogo Antonio Simões, especialista em psicologia do esporte e que já foi técnico das seleções paulista e brasileira de handball, falou sobre a relação entre os fatores psicológicos e o desempenho de uma equipe. Segundo Simões, “muitos jogadores sentem o peso da camisa, a pressão do técnico e do clube, e acabam sucumbindo” e para reverter essa situação é necessária uma intervenção psicológica.
Entretanto, esta intervenção se dá em longo prazo. “Um trabalho de preparação psicológica não pode ser feito em uma semana ou em 15 dias. Necessita de todo um projeto organizacional”, revelou o psicólogo. “Para implantar um trabalho devemos conhecer as forças psicológicas que interferem nos jogadores. Estas forças podem ser impulsoras ou limitantes”, completou.
Para exemplificar, Simões citou o momento atual que passa o Corinthians. “Existe a pressão da torcida, que é uma força impulsora sobre os jogadores e o técnico. Neste caso, os torcedores exercem uma pressão limitante”, disse. “Na relação entre grupo e instituição, os jogadores estão coesos, mas o clube está ‘doente’, assim a força impulsora é o time e a agremiação é a limitante”, explicou.
Diversificando as atividades psicológicas que podem ser feitas sobre o time, o psicólogo diz que o comportamento é diferente de ser para ser, e exemplifica como acontece nos Estados Unidos. “A bola é igual em todo lugar, o que muda é o comportamento do indivíduo. Nos Estados Unidos, os atletas de alto nível são trabalhados de forma cognitivista, através da visualização, da neurolinguística, do lócus de controle e do treinamento mental”, revelou. “Não pense em vencer o outro, mas vencer com o outro”, finalizou.
Na seqüência, foi a vez do empresário Roberto Gomide, da empresa World Sports, que trabalha com gramados esportivos. A palestra tratou sobre a relação entre um bom gramado e as lesões que podem ocorrer nos atletas em função das más condições do piso. Gomide tratou da implantação e manutenção dos campos de futebol, das novas máquinas e tecnologias da área, do plantio da grama e da irrigação do gramado.
Finalizando o primeiro dia, o diretor científico do Clube Atlético Paranaense, Professor Doutor Antonio Carlos Gomes, falou sobre a “Periodização do treinamento”, que se trata do planejamento dos treinos diários dos clubes. Gomes tratou de esclarecer desde o início que no futebol é muito difícil se manter em forma. “Não é possível manter a plena forma desportiva durante 10 meses”, revelou. “Um jogador não consegue manter a mesma forma por mais de 50, 55 jogos em uma temporada”, completou Gomes.
Gomes mostrou como um preparador físico deve realizar seu trabalho dentro do clube sem levar os atletas à fadiga, fazendo isso uniformemente. Nesta linha de raciocínio, mostrou qual a melhor forma de realizar uma programação de treinamentos para a semana de um clube, a intensidade destes treinos, as cargas causadas pelos exercícios, entre outras.
O 1° Simpósio dos Preparadores Físicos de Futebol Profissional segue neste terça-feira. Confira a programação:
9h – Abertura – Curso prático no Estádio Nicolau Alayon (Nacional AC)
12h – Almoço
13h30 – Palestra do Prof. Luciano D’Elia
Tema: Treinamento funcional
15h – Demonstração Prática Freqüencímetros Polar
15h30 – Palestra Prof. Fábio Mahserdjiian (CBF)
Tema: Treinamento físico na Seleção Brasileira de Futebol
17h30 – Homenagem ao presidente da FPF, Marco Polo Del Nero
17h45 - Encerramento
|